sábado, 8 de janeiro de 2005

Confissões

Existe mais poesia no olhar de quem ama do que em mil poemas que se escrevam; mas nem por isso devemos deixar de escrever mil poemas para mostrar ao mundo o que esse olhar dizia...

Era uma manhã como tantas outras que já vivi, fria, sonolenta, solitária. Mas não era isso que fazia com que me sentisse entristecida, deprimida. Aquele café que bebia aquecia-me o espírito, adormecia a dor que sentia dentro de mim... Atrevo-me a dizer que era uma droga benéfica a qual já não passava sem ela... Mas assim sendo... Não era tão benéfica quanto isso. São estes os restos de ti que ainda me atormentam, ainda me sinto como uma prisioneira do amor que sinto ou que sentia, da pseudo obssessão, das palavras carinhosas e dos jogos de olhares que trocavamos em minutos eternos de silêncio.

Sinto que tudo não passou de uma ilusão, sendo tu o ilusionista e eu a espectadora, enganada da melhor forma possível... Eras um artista.

O nosso amor acabou e eu nem dei pelo seu fim...

terça-feira, 4 de janeiro de 2005

Vai ou racha

Domingo, dia santo de azelhice na via pública.

Realmente, meus amigos, não gastem dinheiro em bilhetes para o circo ou até mesmo para o cinema, pois é dinheiro completamente mal empregue. Existem outras formas de investimento muito mais rentáveis, quer economicamente quer em termos de boa disposição.

Muitos gozam com o facto dos alentejanos se sentarem à beira das estradas, encostados às casas caiadas de branco e faixas azuis, mas aí é que vocês se enganam meus amigos! Eles sim, são possuidores do conhecimento! Na realidade, são eles quem gozam com os labregos que se auto-intitulam reis do asfalto!...

Ontem coloquei-me no papel do observador – uma vez mais. Sentada num banco no meio da Serra da Arrábida, lado a lado com umas ruínas romanas (achei tremendamente importante citar tais descrições) quando me deparo com tais ridículas figuras. Sim, senhor. Completamente amestrados, tenho de admitir. Era um puxa à frente, um puxa atrás, um raspa no carro do lado, um vai para o caralho acolá e um chupa-me a gaita aqui. Sim, senhor, completamente didáctico e instructivo.

E queixam-se que o código da estrada é degradante, quando na realidade o que é degradante mas tremendamente hilariante, quando só calha aos outros, é a tremenda falta de civismo nos automobilistas portugueses.